Fim da escala 6x1: o que muda para o MEI e a ME que contrata

Atualizado em 03/11/2026.
Em uma frase: a Emenda Constitucional 141/2026 acabou com a escala 6x1 para todo empregado com carteira, inclusive o do MEI e da microempresa: a partir de 16/12/2026 valem 2 folgas por semana e no máximo 42 horas, e a partir de 16/12/2027, 40 horas, sem reduzir salário.
A emenda saiu no Diário Oficial em 16/10/2026. Ela não criou exceção para MEI, ME ou EPP. O que existe é uma porta aberta: uma lei complementar poderá criar medidas de transição para pequenos negócios. Essa lei ainda não existe.
Se você é MEI ou dono de uma pequena empresa e tem funcionário, este guia mostra o que muda na sua escala, no custo e na decisão de contratar. O calendário completo da mudança está no post do blog da Qipu sobre o fim da escala 6x1 para MEI e ME com funcionário.
O que muda e quando
| Período | Folgas por semana | Máximo de horas por semana |
|---|---|---|
| Até 15/12/2026 | 1 (de preferência no domingo) | 44 horas |
| De 16/12/2026 a 15/12/2027 | 2 (uma de preferência no domingo) | 42 horas |
| A partir de 16/12/2027 | 2 (uma de preferência no domingo) | 40 horas |
A emenda não traz as datas escritas. Ela fala em "2 meses" e "1 ano" depois da publicação. As datas acima são a contagem usada pelo Senado e pelo Ministério do Trabalho. Por segurança, deixe a escala nova pronta antes de 15/12/2026.
Três pontos valem para todo empregador:
- Salário não pode cair. A regra vale para os contratos que já existem, sem redução do salário, nem do valor por hora. Isso inclui o piso da categoria.
- O dia normal continua com até 8 horas. O que muda é o total da semana e o número de folgas.
- Convenções coletivas que contrariem a regra perdem efeito dois meses após a publicação. A partir daí, vale a Constituição.
Vale para o MEI? Vale.
O empregado do MEI tem carteira assinada como qualquer outro. Então a escala dele também muda.
O que a emenda diz sobre pequenos negócios cabe em uma linha: uma lei complementar poderá criar medidas transitórias para MEI, ME e EPP, desde que o negócio mantenha os empregos. O projeto que trata disso, o PLP 201/2026, prevê, por exemplo, desconto parcial na contribuição ao INSS paga pela empresa. Em 02/11/2026, ele seguia "aguardando despacho" no Senado, parado desde julho.
Na prática: não conte com alívio. Planeje a escala como se a regra geral valesse para você, porque hoje ela vale.
Como fica a escala na prática
Hoje, a 6x1 típica tem 6 dias de trabalho e 1 folga, somando até 44 horas.
Com 2 folgas, sobram no máximo 5 dias de trabalho. E com até 8 horas por dia, 5 dias dão 40 horas.
Para chegar às 42 horas em 5 dias, alguém teria de trabalhar mais de 8 horas em algum dia. A emenda só permite isso, até 2027, se a convenção ou o acordo coletivo da categoria ampliar a jornada diária. Sem isso, na prática, a semana do seu funcionário já fica perto das 40 horas em dezembro.
Por isso, a primeira tarefa é simples: descubra qual convenção coletiva vale para a categoria do seu funcionário e o que ela diz. O contador ou o sindicato da categoria responde isso.
| Situação | Exemplo de semana a partir de 16/12/2026 |
|---|---|
| Sem regra coletiva que amplie o dia | 5 dias de 8 horas = 40 horas |
| Com convenção ou acordo que amplie o dia | 5 dias somando até 42 horas |
| Funcionário que já trabalha até 40 horas | Mantém as horas, mas passa a ter 2 folgas |
Quanto fica mais caro
O salário fica igual e as horas diminuem. Então cada hora trabalhada custa mais.
- De 44 para 42 horas: cada hora fica cerca de 5% mais cara.
- De 44 para 40 horas: cada hora fica 10% mais cara.
Se você precisar das mesmas horas de antes, a diferença vira hora extra. Pela Constituição, a hora extra custa no mínimo 50% a mais que a hora normal. Hora extra todo dia costuma sair mais caro do que reorganizar o horário.
Se você é MEI, há um cuidado a mais. O empregado do MEI precisa receber exclusivamente 1 salário mínimo ou o piso da categoria. Antes de resolver a escala nova com hora extra frequente, confirme com o contador se isso pode afetar o seu enquadramento como MEI.
Três caminhos para o pequeno negócio
- Reorganizar o horário. Revise os dias e horas em que você realmente precisa de alguém. Às vezes, fechar meio período num dia fraco resolve.
- Pagar horas extras pontuais. Serve para picos, como dezembro. Não serve como regra.
- Contratar mais uma pessoa. Para o MEI, isso tem data: o segundo empregado só é permitido a partir de 01/01/2027.
MEI: o segundo empregado chega em 2027
A Lei Complementar 238/2026 permite que o MEI tenha até 2 empregados, cada um recebendo exclusivamente 1 salário mínimo ou o piso da categoria. Essa regra começa em 01/01/2027.
Até 31/12/2026, continua valendo o limite de 1 empregado. Contratar o segundo antes de 2027 tira você do MEI.
Repare na ordem das datas: as 2 folgas chegam em 16/12/2026, duas semanas antes de o MEI poder contratar o segundo empregado. Se a sua solução for contratar, faça o planejamento agora e a contratação a partir de janeiro.
Os detalhes sobre salário, custo e o que ainda depende de regulamentação estão no guia MEI com dois empregados em 2027.
Quando faz sentido deixar de ser MEI
Se o seu negócio precisa de mais de 2 pessoas, ou de alguém ganhando acima do piso, o MEI deixa de servir. O mesmo vale se o faturamento passar do limite do MEI, que sobe para R$ 110 mil em 2027.
Nesse caso, o caminho é virar microempresa (ME). Na ME não há limite de empregados. A escala nova vale igual, mas a estrutura comporta crescer.
Para entender os sinais e os passos:
- Ultrapassei o limite do MEI: o que fazer
- Documentos para migrar de MEI para ME
- MEI precisa de contador?
Quem cuida da escala, do ponto e da folha
A escala, o controle de ponto, a folha de pagamento e o eSocial do seu funcionário são responsabilidade de quem emprega. No MEI, normalmente é você mesmo. Na ME, quem costuma cuidar é o contador ou o departamento pessoal que atende a empresa.
O MEI Grátis e a Qipu não fazem folha de pagamento de funcionários. A ajuda deles está em outra frente: controlar o faturamento do MEI e decidir o enquadramento certo da empresa.
O que fazer agora
- Liste quantos funcionários você tem e quantas horas cada um trabalha por semana.
- Descubra a convenção coletiva da categoria e se ela amplia a jornada diária.
- Monte a escala com 2 folgas por semana, pronta antes de 15/12/2026.
- Calcule o custo novo por hora e compare com hora extra ou nova contratação.
- Se for MEI e pensa em contratar, deixe a segunda contratação para 2027.
- Acompanhe o faturamento para saber se ainda cabe no MEI. O app MEI Grátis ajuda a controlar suas vendas no mês.
Perguntas frequentes
O fim da 6x1 vale para o funcionário do MEI? Sim. A emenda vale para todo contrato de trabalho com carteira e não criou exceção para MEI, ME ou EPP.
Posso reduzir o salário porque a jornada diminuiu? Não. A emenda proíbe reduzir o salário, inclusive o valor proporcional por hora e o piso da categoria.
Existe alguma regra mais leve para pequena empresa? Ainda não. A emenda permite que uma lei complementar crie medidas transitórias, mas o projeto (PLP 201/2026) segue parado no Senado.
Posso contratar o segundo empregado do MEI em dezembro? Não. O segundo empregado só é permitido a partir de 01/01/2027. Antes disso, contratar tira você do MEI.
Quem já trabalha 40 horas muda alguma coisa? Não perde horas, mas passa a ter direito a 2 folgas por semana a partir de 16/12/2026.
Em resumo
- A escala 6x1 acaba em 16/12/2026: 2 folgas e até 42 horas. Em 16/12/2027, 40 horas.
- Vale para MEI, ME e EPP, sem redução de salário.
- Alívio para pequenos negócios depende de uma lei que ainda não existe.
- O MEI só pode ter o segundo empregado a partir de 01/01/2027.
- Escala, ponto e folha ficam com quem emprega e com o contador da empresa.
Vai contratar mais gente e não sabe se continua MEI ou se é hora de virar ME? Fale com um especialista da Qipu sobre o seu enquadramento.



